Um balanço do cenário digital em 2017

Um balanço do cenário digital em 2017

O ano de 2017 foi marcado por uma maior discussão em torno da Experiência do Usuário – e do cliente, do consumidor, do cidadão – o que é um sinal bastante positivo tanto para as pessoas como para as empresas. Ao melhorar produtos e serviços, as empresas deixam seus clientes mais satisfeitos, eles consomem mais, e todos ficam felizes.

As novidades tecnológicas também foram destaque, como sempre, mas tiveram que dividir espaço com as que estão vindo das startups. Novidades que têm preocupado algumas empresas e que vêm conquistado cada vez mais consumidores, porque atendem alguma necessidade que eles têm e ainda facilitam a vida.

Entre as várias retrospectivas e análises de tendências que já pipocam no Medium, Linkedin e outros, resolvemos compartilhar a de Anthony Miller,publicada pelo UX Planet, onde ele faz uma retrospectiva do mundo digital em que vivemos cheia de exemplos reais, que nem sempre se restringem a 2017, mas que resumem o que andou acontecendo nos últimos anos e em alguns casos afetam a Experiência do Usuário – e os profissionais que trabalham com ela. Pensar no futuro exige uma análise cuidadosa do presente e do passado.

Mesmo que a retrospectiva de Miller apresente pontos de vista baseados no cenário norte-americano, muitas coisas podem ser proveitosas para os profissionais e empresas brasileiras se manterem bem informados e atentos ao que está chegando por aí.

Vamos aos fatos do cenário digital que marcaram 2017 segundo Miller.

1. Navegação mais simples

A navegação foi um tema recorrente entre os designers durante 2017. É trabalho dos designers criar experiências mais fluídas, com o menor esforço para os usuários, e aí a navegação tem um papel crucial.

Navegação linear

Com a missão de simplificar a navegação, muitos aplicativos e sites passaram a focar numa navegação passo a passo. Essa é uma maneira de colocar os usuários num fluxo, onde cada próximo passo parece uma continuação lógica do passo anterior.

Interfaces de voz

As interfaces de voz (VUI — Voice User Interface) estão se tornando uma alternativa interessante às interfaces gráficas. Houve avanços no processo de linguagem natural (NLP — Natural Language Process) e isso permitiu usar ainda mais comandos de voz para diversas situações.

Uma porcentagem significativa de jovens já utilizava comandos de voz para interagir com interfaces em 2014 — Fonte: Google Mobile Voice Survey 2014

As interfaces de voz serão cada vez mais utilizadas não apenas no celular mas em aparelhos via IoT — “Internet das coisas” e em sistemas de Smart Home (casa inteligente). Em breve teremos padrões de reconhecimento de voz ainda mais avançados que vão melhorar nossas interações com os sistemas.

2. Despoluindo e melhorando a compreensão

Uma das missões comuns para os designers tem sido despoluir a interface, ou seja, eliminar tudo o que não é importante (ruído) e priorizar a informação que é relevante para o usuário (sinais), de forma que fique claro para ele o que fazer e como seguir adiante.

A remoção de informações irrelevantes (ruídos) fez com que os designers conseguissem melhorar a maneira de compreender um produto, priorizando seu conteúdo através de uma linguagem visual clara.

Conteúdo em primeiro lugar

A abordagem de “Content First” está diretamente relacionada ao minimalismo em design. Mais é menos! O designer remove da interface todos os elementos desnecessários e foca no que realmente importa: conteúdo e funcionalidade. As interfaces ficam mais limpas, apresentam mais espaço em branco entre os elementos e menos itens decorativos.

Instagram para iOs (2015 vs. 2017)

Linguagem visual clara

Uma boa hierarquia visual facilita a interação com qualquer produto. No caso de sites e aplicativos móveis, boa hierarquia visual significa oferecer uma visualização priorizada e clara do conteúdo na página através de elementos visuais adequadamente posicionados. Um botão de ação numa cor forte contrastando com um layout minimalista pode criar uma experiência de uso mais fácil e eficiente.

O botão Enviar (Submit) possui uma cor contrastante com o restante dos elementos. Fonte: Airbnb

Títulos e cabeçalhos maiores

Os títulos das telas e de páginas ficaram maiores, gerando um aumento do espaço em branco entre o cabeçalho e o conteúdo. Isso trouxe mais facilidade para ler e permite que o usuário identifique rapidamente onde está.

A Apple passa a usar títulos grandes e em negrito no iOS 11

3. Animação para diferentes objetivos

As animações estão se tornando parte natural das interfaces, seja pelo seu aspecto funcional ou emocional.

Animação funcional

Ao mesmo tempo em que traz clareza à interface, a animação funcional serve para simplificar o processo de interação. No recém lançado iPhone X com suas muitas interações por gestos, as animações funcionais cumprem um papel importante: sinalizar para o usuário transições complexas e relação espacial.

A animação funcional pode facilitar as interações. Fonte: Jae-seong, Jeong

Animação emocional

Sem propósito funcional, algumas animações simpáticas são incorporadas em muitos fluxos na tentativa de criar uma experiência mais humana através de uma conexão emocional com o usuário.

Uma animação em vez de uma escala de avaliação. Fonte: Andy Orsow

4. Popularização do vídeo

O conteúdo de marketing na forma de vídeos foi muito forte em 2017. De acordo com a Hubspot, 78% das pessoas assistem vídeos online pelo menos uma vez na semana e 55% assistem vídeos todos os dias.

Conteúdo em vídeo prende mais a atenção

A capacidade de atenção dos seres humanos que era de 12 segundos, em média, no ano 2.000 caiu para 8 segundos, em média, em 2015 (dados do Statistic Brain). E isso tem a ver com a quantidade de informações que temos à nossa frente, em nossas mãos. O Marketing então passou a usar e abusar dos vídeos curtos e rápidos para capturar a atenção dos usuários.

Vídeo como mensagem de boas-vindas

O vídeo representa uma oportunidade de envolver mais os usuários desde o início, por isso muitos sites estão usando vídeo na página inicial. Empresas como a Tesla utilizam o vídeo não só para apresentar o seu produto, mas para contar uma história, porque isso ajuda a criar uma experiência mais memorável.

Site da Tesla

5. Design emocional

O relacionamento homem-máquina tem um forte componente emocional, às vezes mais do que racional. Ficamos felizes quando a tecnologia nos ajuda a realizar nossas atividades ao mesmo tempo em que nos irritamos com o computador quando algo não funciona como esperado.

O design emocional foca em criar emoções positivas a partir do entendimento de como as pessoas interagem com tecnologia e também de como elas se sentem. Em 2017 vimos uma atenção maior a isso.

Mapeando os erros

Por muito tempo, designers criaram experiências apenas para a jornada ideal do usuário. Em 2017, muitos perceberam que criar jornadas “não ideias” é algo igualmente importante para o desenvolvimento de um site ou app.

Mapear os erros que o usuário comete ou pode cometer é uma maneira de encontrar situações que causam sentimentos negativos quando o usuário está interagindo com o produto. Ao encontrar essas situações, os designers podem criar respostas mais humanizadas que não deixem o usuário frustrado ou com raiva.

No aplicativo de mensagens Slack, quando o usuário está escrevendo uma mensagem e resolve sair do aplicativo, aparece um ícone de um lápis como uma maneira simpática de avisar que ele ainda não enviou aquela mensagem.

Interfaces conversacionais

Chatbot e interface de conversação (CUI — Conversational User Interface) estão em alta desde 2016 e continuarão a crescer junto com os assistentes virtuais. Uma diferença importante entre as interfaces gráficas (GUI — Graphic User Interface) e as interfaces conversacionais é que a interação por voz fica mais humana.

Fonte: EJ Hassenfratz

6. O conteúdo é rei

O conteúdo é ainda mais importante do que antes. Ele é o principal motivo pelo qual as pessoas vão a sites e a aplicativos. Durante 2017 foi possível observar 2 tendências relacionadas ao modo como as pessoas consomem conteúdo.

O Facebook se tornou um destino importante de conteúdo

Em 2017 o Facebook se firmou como um dos principais canais de conteúdo, onde as pessoas vão para ver notícias, novidades e buscar informações e recomendações.

Google e Facebook preocupadas com a credibilidade do conteúdo

De acordo com um estudo da Universidade de Stanford, uma porcentagem muito alta de usuários não sabe distinguir se um conteúdo online é verdadeiro ou não. A internet está povoada de notícias falsas e o problema da credibilidade do conteúdo repercutiu fortemente por causa da campanha eleitoral para presidente dos EUA em 2016.

Por conta disso, Google e Facebook estão testando funcionalidades que possam ajudar os usuários a identificar as “fake news”.

7. Wearables como opção aos celulares

Com o lançamento do Apple Watch Series 3, já é possível utilizar o smartwatch também como um aparelho celular. Agora as pessoas podem ter um computador poderoso no pulso.

Outros aparelhos podem vir a acoplar funcionalidades do celular e conquistar públicos específicos.

Créditos da imagem: Engaged

8. Autenticações mais simples

O padrão para o usuário fazer login em aplicativos e sites é a tradicional combinação de usuário e senha, mas isso está ficando desatualizado. Já se vê um progresso significativo nesse campo em relação aos anos anteriores. E a tendência é que surjam mudanças ainda mais significativas no ano que vem.

Formas inteligentes de autenticação

Quando o usuário esquece a senha, normalmente tem que redefiní-la num processo onde, em alguns casos, é preciso seguir muitos passos e fazer muitas ações extras – clicar para redefinir a senha, digitar algum dado, enviar o pedido, olhar na caixa de entrada se chegou o email com o link para redefinir, clicar no link, criar uma senha nova (que muitas vezes a gente não gostaria porque já tem tantas senhas e não sabe nem qual criar agora!).

Na tentativa de simplificar e agilizar o processo, alguns aplicativos e sites incorporaram algumas formas menos trabalhosas de fazer login – como as senhas temporárias, que são enviadas ao usuário uma única vez para ele usar naquele momento – assim ele não tem que pensar nem criar uma senha nova naquela hora.

Para o cliente que esqueceu a senha, o eBay envia uma senha temporária para o celular cadastrado no sistema.

Outra alternativa que está sendo usada é enviar um link para o usuário depois que ele informar o email cadastrado. E pronto! Ele clica e já entra sem precisar digitar usuário e senha.

“Link mágico” do Medium.

Autenticação biométrica

Já podemos usar a digital para entrar em vários aplicativos e agora a Apple colocou no iPhone X a autenticação por reconhecimento facial – “Face ID”. Em 2018, veremos uma utilização maior do “Face ID” e esperamos por outras maneiras de fazer login.

Craig Federighi demonstrando o Face ID durante a WWDC 2017.

9. Personalização

Cada vez mais empresas estão incorporando técnicas e tecnologias que permitam entregar um conteúdo mais personalizado a seus clientes. De acordo com a Gartner, mecanismos de personalização inteligentes utilizados para reconhecer a intenção dos clientes possibilitará um aumento médio dos lucros das empresas de 15%.

Machine Learning

Progressos significativos no campo de “Machine learning” (o sistema vai aprendendo conforme vai sendo usado) já permitem a algumas empresas, através do uso de algoritmos, entregar um conteúdo mais adaptado às necessidades e desejos dos usuários.

Bons exemplos desse tipo de personalização podem ser encontrados nos serviços da Amazon, Spotify e Netflix.

A Netflix analisa os interesses do usuário e recomenda séries que podem ser interessantes para eles.

A Netflix compartilhou informações da tecnologia de “Machine learning” que utiliza para fornecer conteúdo personalizado aos seus usuários.

10. Novos mecanismos de pagamento

Os pagamentos digitais chamados de “Cahsless Payments”, quer dizer, pagamento sem usar dinheiro, se tornaram tendência e o número de usuários que os utilizam praticamente dobrou em 2017. Um relatório da Juniper Research aponta que o número de usuários de Apple Pay chegará a 86 milhões e de Android Pay a 24 milhões no final deste ano.

Quando comparados com os cartões de crédito, o Android Pay e o Apple Pay são consideradas as opções mais seguras de pagamento, segundo o relatório.

Créditos da imagem: Daily Express

O que isso significa para designers e desenvolvedores em países como os Estados Unidos? Significa que, em 2018, essas opções de pagamento (Apple Pay / Android Pay) precisam ser oferecidas entre as principais opções de pagamento para os produtos, online e offline.

Android Pay para pagamentos online.

11. Realidade Aumentada (AR)

O ano de 2018 será o ano da Realidade Aumentada (AR – Augmented Reality). Mais pessoas usarão o seu celular ou tablet como lentes no mundo virtual.

Google Lens

Google Lens é um aplicativo de Realidade Aumentada (AR) disponível no Google Assistant dos celulares Pixel e Pixel 2, que permite apontar a câmera para alguma coisa e obter mais informações. Ele funciona junto com o Google Photos. Enquanto você tira a foto, o aplicativo faz a busca de informações para você.

O Google Lens foi projetado para exibir as informações mais relevantes através da análise visual. Fonte: Engadget

Aplicativos de AR solucionando problemas da vida real

Ao contrário da Realidade Virtual (VR) que ainda é pouco usada, a Realidade Aumentada (AR) vem ganhando mais adeptos porque agrega valor em muitas situações. Um exemplo são os aplicativos que vendem produtos para a casa, em que a Realidade Aumentada ajuda o usuário a escolher o produto mais adequado para o ambiente.

IKEA AR – ao possibilitar que o usuário coloque objetos virtuais ao lado de seus objetos reais, um mundo de possibilidades se abre para os clientes.
A Realidade Aumentada (AR) permite que o usuário tire medidas de objetos reais sem precisar ter uma fita métrica na mão.

Apple e Google criam kits de AR para desenvolvedores

Em 2017, a Apple e o Google lançaram plataformas móveis de Realidade Aumentada, a AR Kit e AR Core. Essas plataformas são APIs de alto nível, que fornecem um conjunto robusto de recursos e são suportadas por milhões de dispositivos.

As plataformas móveis de AR permitem integrar objetos virtuais na realidade física.

12. Realidade Virtual (VR) ainda é algo novo

Muitos dizem que a Realidade Virtual será o hit de 2018. Mas a verdade é que a plataforma ainda precisa enfrentar alguns desafios antes de ser amplamente disponibilizada. Mesmo assim, em 2018 veremos mudanças significativas que tornarão a VR algo mais próximo das pessoas.

Dispositivos de VR mais acessíveis

Tornar os dispositivos VR mais acessíveis para as pessoas é a meta principal de muitos desenvolvedores de hardware. O crescimento de dispositivos de baixo custo, como o Google Daydream contribuirá para a popularização da tecnologia. Recentemente já houve uma queda nos preços de dispositivos como o Oculus Rift e o HTC Vive.

VR e Unity 3D

Em 2018, a Realidade Aumentada ainda será bastante utilizada para entretenimento. Podemos esperar um progresso significativo da plataforma de desenvolvimento de jogos 3D da Unity. Ferramentas como o Editor VR Unity ajudarão a criar experiências mais estimulantes para os jogadores.

VR também em navegadores

WebVR do Mozilla pode se tornar uma grande oportunidade no campo de Realidade Virtual. Primeiro porque é a tecnologia que tem o melhor custo. Segundo porque os desenvolvedores podem usar a mesma linguagem de programação que já usam para criar apps para o WebVR (não é necessário aprender uma nova linguagem, eles podem criar apps de VR usando JavaScript). E mais: não precisa instalar nada com o WebVR, basta abrir o link e entrar na Realidade Virtual.

A-Painter permite ao usuário pintar em VR no seu navegador.

Texto adaptado do original “The State of UX for 2018”, publicado em UX Planet.

Que tipo de Gerente de Produto você quer ser: ótimo ou apenas OK?

Que tipo de Gerente de Produto você quer ser: ótimo ou apenas OK?

Gerentes de Produto são chamados algumas vezes de “antropólogos de produto”, porque mais do que qualquer outro profissional são eles que supostamente sabem tudo sobre o produto e entendem como os clientes/consumidores/usuários vão usá-lo e como vão interagir com ele.

E como os Gerentes de Produto sabem o que os clientes esperam e o que valorizam em um produto?

Estudos e histórias de sucesso mostram que para criar um produto de sucesso é preciso focar no cliente, manter o usuário no centro do processo — especialmente para produtos digitais, como sites e aplicativos.

Por mais que o gerente e seus colegas de empresa, todos experientes e capacitados, conheçam o produto, o negócio e o mercado, eles não representam o cliente real daquele produto.

É por isso que (ótimos) Gerentes de Produto realizam pesquisas com clientes e testes com usuários para descobrir o que é bom para eles, o que eles valorizam — e não o que os colegas da empresa acreditam ser bom para os clientes.

Quando são criados os casos de uso, por exemplo, a equipe começa focando nas atividades que o usuário vai realizar e no que vai precisar ser desenvolvido. Mas sem testar com usuários, o Gerente de Produto não vai saber se o que está nos casos de uso atende às necessidades dos usuários e vai proporcionar um ótima experiência. Ele pode estimar. Pode até fazer uma boa estimativa, mas ainda assim trata-se de loteria.

É por isso que gerenciamento de produtos sem ouvir os usuários não é eficaz. Pode-se até ter um gerenciamento OK com produtos apenas OK para os usuários. Mas isso não é suficiente para criar um produto de sucesso.

Produtos de sucesso estão diretamente ligados a uma ótima Experiência do Usuário. E o trabalho para se alcançar isso é de todos, não apenas da equipe de UX. É do trabalho colaborativo entre os diversos times — gerenciamento de produtos, design, marketing, TI, UX… — que vem a ótima Experiência do Usuário.

Texto baseado no artigo em inglês de Phil Dahnke.

Sua Majestade, o conteúdo, e seu fiel escudeiro, o UX Writer

Sua Majestade, o conteúdo, e seu fiel escudeiro, o UX Writer

Em 1996 Bill Gates declarou “Content is king!”. Mais de 20 anos depois, o conteúdo volta a ganhar destaque na corte digital, agora sob a ótica da Experiência do Usuário e com um novo tipo de profissional.

Na recente conferência anual do Google para desenvolvedores, o Google I/O 2017, a estratégia de conteúdo ocupou um espaço importante dentro do evento de tecnologia.

Entre os 3 palestrantes, dois são UX Writers, cargo que já existe em outras empresas de tecnologia além do Google. Aliás, tem aparecido vários anúncios de vagas para essa função em diferentes países (nenhum no Brasil).

 
 

Na descrição da vaga do Google diz assim: “Como UX Writer você fará parte do time de Design, vai trabalhar para melhorar a experiências com os produtos através da criação de textos que tenham significado e que seja úteis para os usuários completarem as tarefas que precisam executar. Você vai ajudar a estabelecer uma visão para o conteúdo e a direcionar narrativas coesas nas múltiplas plataformas e pontos de contato”.

O UX Writer, que em Português seria algo como Redator de UX, é um profissional que trabalha junto aos designers, na hora de definir a hierarquia das informações numa página, por exemplo, e também junto aos pesquisadores de UX para descobrir quais as palavras e termos que funcionam melhor para os usuários.

Quando o site ou aplicativo fala a língua dos usuários, eles conseguem fazer o que precisam com mais rapidez e eficiência. Ao oferecer o que os usuários necessitam, a empresa constrói através da linguagem uma relação de confiança e fidelidade com eles.

3 boas práticas para Redação de UX

1.Clareza
Seja claro, trabalhe com palavras e termos que o usuário utiliza, que são familiares para ele. Não use termos e palavras que são do sistema ou do linguajar dos técnicos. 

A mensagem para o usuário deve dizer o que deu errado numa linguagem que ele entenda.

2. Concisão
Escrever de forma concisa é mais do que escrever pouco, é escrever com foco na eficiência. Retire palavras que não são necessárias e coloque em primeiro plano o que é de fato relevante para o usuário. Lembre-se que o usuário lê pouco, ele escaneia, então coloque primeiro o que é mais importante para ele.

Se não é necessário colocar um título na mensagem, não se deve colocar só porque tem um espaço para ela.

3. Utilidade
Se o seu texto deve ajudar o usuário a fazer o que ele precisa, então você deve pensar nas ações que ele vai querer executar para alcançar seu objetivo e usar as palavras certas para ele dar o próximo passo com segurança.

O “OK” não é útil! Você deve oferecer ações que ajudem o usuário a se recuperar do erro, isso é útil.

Tudo resolvido? Claro que não! Muitas vezes não é fácil aplicar essas boas práticas, porque elas acabam brigando entre si: para ser mais claro, às vezes é preciso escrever um texto um pouco mais longo. É assim mesmo, você vai ter que decidir o que é melhor para os seus usuários e buscar um equilíbrio com a linguagem e os princípios que norteiam a comunicação da empresa.

Por último, mas ainda longe de encerrar este tópico, o designer não deve ser o responsável por criar os textos da interface, porque essa não é uma habilidade principal desse profissional. Criar os melhores textos com foco no usuário é tarefa do redator, que deve trabalhar junto com o time de design e de pesquisa de UX, como o Google recomenda.

Agradeço ao Guy Ligertwood por ter compartilhado suas notas sobre o evento do Google com tamanha clareza e detalhamento, e que me permitiram criar este resumo.

E depois de tantos anos vendo o conteúdo ser colocado em segundo plano em agências e em empresas que nem tinham (infelizmente algumas ainda não têm) um redator para seus sites e aplicativos, tenho que agradecer ao Google. Mesmo que algumas guidelines mereçam uma revisão e uma discussão mais aprofundada, especialmente para países além dos EUA, quando o Google fala as pessoas ouvem. Por isso, obrigada Google por colocar o UX Writer em evidência e mostrar como esse profissional é fundamental para dar vida longa ao rei, o conteúdo.

Prototipar para ganhar

Prototipar para ganhar

Já vi protótipo de caixa eletrônico feito com caixas de papelão; de smartwatch com fita adesiva colada no pulso e post-its; de aplicativo com adesivos colados num molde de papel do aparelho. Quando os participantes chegam para testar um protótipo desses, primeiro acham tudo muito estranho, depois pensam que é uma brincadeira e no final saem satisfeitos por terem ajudado a melhorar um produto que ainda nem foi lançado.

O que os participantes sentem é o que as empresas deveriam sentir. Criar protótipos pode parecer uma brincadeira estranha, mas é uma técnica eficaz para ajudar a criar produtos de sucesso.

Na fase inicial de um projeto, você prototipa, testa com usuários, muda o protótipo (de acordo com os resultados dos testes), testa de novo… e repete quantas vezes forem necessárias.

_”Não há tempo para isso!” é o que mais se ouve. Na verdade o tempo que se usa para prototipar e testar pode significar uma economia de dias, semanas ou até meses de refações lá na frente, quando o custo de mudar algo é muito mais alto do que nas etapas iniciais de um projeto. Ou pode ainda significar o pior caso de todos: deixar de prototipar e de avaliar o produto com os usuários para depois descobrir que os usuários não querem aquele produto, não precisam dele, e o produto fracassar.

E serviços? Dá para prototipar um serviço? Claro que dá. Sempre deu.

O diretor da agência Hellon de Service Design, Markus Hohl, publicou no Linkedin e os designers da comunidade de Service Design de Portugalcompartilharam no Facebook uma cena genial do filme “Fome de Poder” (The Founder), que mostra um protótipo de um serviço revolucionário.

A cena mostra os irmãos fundadores do Mac Donald’s, lá nos anos 50, montando um protótipo do que viria a ser o atendimento fast food numa quadra de tênis. Eles prototiparam o serviço, testaram, refizeram o protótipo várias vezes e retestaram, até chegar num modelo que funcionasse.

E como funcionou!

O que aconteceu depois é outra história. Sem spoiler!

Se você ainda não viu, assista. É um daqueles filmes de Hollywood deliciosos, perfeitos para se largar no sofá e aproveitar o momento de lazer.